Joesér Alvarez

* Alberto Lins Caldas

 

There are the white mice of art: those who stay inside the glass bottle in the laboratory, eating feed and seriously thinking that the world, that white space where sometimes a white mouse is sacrificed white by those shadows, also white, is the visible horizon ; but there are, for our taste, the sewage voles within the wide borderless world. They know that the world is cruel, melancholy, perverse, illusory, temporary, made of forgetfulness, foolishness and pain; and that it is necessary to run in search of food, of dreams, of desire. The first, the white rats, disappear like steam over time: they are the artists who think they are artists: they infest the laboratories with their arrogance of saviors of the race: they disappear at the time of death: they leave nothing: nothing means: all meaning has been only fashion; but there are rats: they are the true artists: those who know that the world is a dangerous waste but that it is in this garbage that the meaningless meaning of their life lies: they, the rats, or they the artists, who shape our existence: give it meaning and an alibi.

 

But while the craft of white mice exists, it has been a commodity since the beginning, something made to shine and reproduce, the art of rats is just that black liquid that drips from the dumps. It is an art that crosses the world and spills uselessly over the earth. And even if they turn that liquid back into crystalline water and sell it as mineral water, it still does not fade.

 

Joesér Àlvarez conquered this fundamental liquid within madness, perversity and loneliness: his paintings spill over with a land that ultimately concerns us. We escaped, with him, the bland and green art, cheerful and native, folk and fearful of the white rats of Rondonias. It is a miracle that such art is born in this land among people so fearful, so naked and so repetitive.

 

Joesér Àlvarez's paintings suddenly changed. There is no longer Joesér who painted the wooden river cages in an afternoon yellow. He discovered that Van Gogh had already discovered yellow and that Monet had already cleared the rivers. But no one could paint what only Joesér Àlvarez could paint. And on a night of solitude accompanied by Joesér Àlvarez, he discovered what only he could create: and when they gave him peace in life he went to work. In a second, which seemed like an eternity, Joesér Àlvarez went from being a white lab rat to becoming a sudden sewage rat. While Carlos Moreira is a corpse, a happy dead of poetry, Joesér Àlvarez is a sewage rat from whose eyes and whose hands another painting rises, another interior without limits, another moment.

 

This other Joesér Àlvarez manages to gather in the restricted and two-dimensional space of a canvas a horselike dose of loneliness, discomfort, incommunicability, incomprehension and madness that only a few other painters have successfully tried this way. His current path crosses the same path as Sotine, Bacon, Freud, Rustin, but he owes nothing to them: his path, as of any true artist, is born out of a personal madness, a libertine perversion, a singular perspective, a aesthetics, a new philosophy and another worldview.

 

Both the death of Carlos Moreira and the transformation of Joesér Àlvarez into a rat are due to Madeirism as an intimate creation of the two. Madeirism is not, for them, an imposed thing, an idea from afar, but another blood that flows in their veins, another Porto Velho that devours New York, spits London and Beijing and, when he wishes, cherishes a São Paulo like if it were a small child, a madam puppy. Joesér Àlvarez's images multiply our ability to see the other, the horror and the wonder of existence. For those who do not indulge in tired and pre-visible forms, it is more than a good start. It is the expected interference in the timeless space of the art of the improbable.

 

* Professor and writer, founder of the Madeirist Movement

 

SOURCE: JOESÉR: A RATAZANA CRIA SEU NINHO  (free traduction)

 

Há os ratos brancos da arte: aqueles que ficam dentro da garrafa de vidro no laboratório, comendo ração e pensando seriamente que o mundo, que aquele espaço branco onde às vezes um ratinho branco é brancamente sacrificado por aquelas sombras também brancas, é o horizonte visível; mas há, para nosso sabor, as ratazanas de esgoto dentro do largo mundo sem fronteiras. Essas sabem que o mundo é cruel, melancólico, perverso, ilusório, temporário, feito de esquecimento, tolice e dor; e que é preciso correr em busca da comida, do sonho, do desejo. Os primeiros, os ratos brancos, desaparecem como vapor dentro do tempo: são os artistas que pensam que são artistas: infestam os laboratórios com sua arrogância de salvadores da raça: desaparecem na hora da morte: não deixam nada: nada significam: todo significado foi somente moda; mas existem as ratazanas: são os verdadeiros artistas: os que sabem que o mundo é um dejeto perigoso mas que é nesse lixo que está o significado sem significado da sua vida: elas, as ratazanas, ou eles os artistas, que formatam nosso existir: dão-lhe sentido e álibi.

 

Mas enquanto o artesanato dos ratos brancos existe, é mercadoria desde o início, coisa feita para brilhar e reproduzir, a arte das ratazanas é somente aquele líquido negro que escorre dos lixões. É uma arte que atravessa o mundo e se derrama inutilmente pela terra. E mesmo que transformem esse líquido novamente em água cristalina e à venda como água mineral, ainda assim o seu percurso não se apaga.

 

Joesér Àlvarez conquistou dentro da loucura, da perversidade e da solidão esse líquido fundamental: seus quadros se derramam com uma terra que enfim nos diz respeito. Escapamos, com ele, da arte insossa e verdinha, alegre e nativa, folclórica e medrosa dos ratos brancos das rondônias. É um milagre que tal arte nasça nessa terra entre gentes tão medrosas, tão nuas e tão repetitivas.

 

Os quadros de Joesér Àlvarez de repente se transformaram. Não há mais o Joesér que pintava as gaiolas do rio madeira num amarelo de pôr de tarde. Ele descobriu que Van Gogh já havia descoberto o amarelo e que Monet já desbravara os rios. Mas ninguém poderia pintar aquilo que somente Joesér Àlvarez poderia pintar. E numa noite de solidão acompanhada Joesér Àlvarez descobriu aquilo que somente ele poderia criar: e quando lhe deram paz na vida pôs mãos à obra. Num segundo, que pareceu uma eternidade, Joesér Àlvarez deixou de ser um rato branco de laboratório para se tornar uma ratazana brusca de esgoto. Enquanto Carlos Moreira é um cadáver, um morto feliz da poesia, Joesér Àlvarez é uma ratazana de esgoto de cujos olhos e de cujas mãos se levanta uma outra pintura, uma outra interioridade sem limites, um outro momento.

 

Esse outro Joesér Àlvarez consegue reunir no espaço restrito e bidimensional de uma tela uma dose cavalar de solidão, de desconforto, de incomunicabilidade, de incompreensão e loucura que somente outros poucos pintores tentaram com êxito essa via. Seu atual caminho atravessa a mesma trilha de Sotine, Bacon, Freud, Rustin, mas sem dever nada a eles: seu caminho, como de todo verdadeiro artista, nasce de uma loucura pessoal, de uma perversão libertina, de uma perspectiva singular, de uma estética, de uma nova filosofia e de uma outra visão de mundo.

 

Tanto a morte de Carlos Moreira quanto a transformação de Joesér Àlvarez em ratazana se devem ao Madeirismo como uma criação íntima dos dois. O Madeirismo não é, para eles, uma coisa imposta, uma idéia de longe, mas um outro sangue que lhes corre nas veias, uma outra Porto Velho que devora Nova Yorque, cospe Londres e Pequim e, quando deseja, acalenta uma São Paulo como se fosse uma criancinha de colo, um cachorrinho de madame. As imagens de Joesér Àlvarez multiplicam nossa capacidade de ver o outro, o horror e a maravilha da existência. Para aqueles que não se entregam a formas cansadas e pré-visíveis, é mais que um bom começo. É a interferência esperada no espaço sem tempo da arte do improvável.

 

*Professor e escritor, fundador do Movimento Madeirista

 

FONTE: JOESÉR: A RATAZANA CRIA SEU NINHO 

Hay los ratones blancos del arte: los que se quedan dentro de la botella de vidrio en el laboratorio, comiendo ración y pensando seriamente que el mundo, ese espacio en blanco donde a veces un ratón blanco es sacrificado por esas sombras, también blancas, es el horizonte visible; pero hay, para nuestro gusto, los ratones del campo de las aguas residuales dentro del ancho mundo sin fronteras. Saben que el mundo es cruel, melancólico, perverso, ilusorio, pasajero, hecho de olvido, necedad y dolor; y que hay que correr en busca de alimento, de sueños, de deseo. Los primeros, los ratones blancos, desaparecen como vapor con el tiempo: son los artistas que se creen artistas: infestan los laboratorios con su arrogancia de salvadores de la raza: desaparecen en el momento de la muerte: no dejan nada: nada significa : todo sentido ha sido sólo moda; pero hay ratas: son los verdaderos artistas: los que saben que el mundo es un desperdicio peligroso pero que es en esta basura donde está el sentido sin sentido de su vida: ellos, las ratas, o ellos los artistas, que dan forma a nuestra existencia: dale sentido y una coartada.

 

Pero mientras el arte de los ratones blancos existe, ha sido una mercancía desde el principio, algo hecho para brillar y reproducirse, el arte de las ratas es solo ese líquido negro que gotea de los vertederos. Es un arte que recorre el mundo y se derrama inútilmente sobre la tierra. E incluso si vuelven a convertir ese líquido en agua cristalina y lo venden como agua mineral, todavía no se desvanece.

 

Joesér Àlvarez conquistó este líquido fundamental dentro de la locura, la perversidad y la soledad: sus cuadros desbordan una tierra que finalmente nos concierne. Escapamos, con él, del arte insípido y verde, alegre y autóctono, folk y temeroso de los ratpnes blancos de Rondonias. Es un milagro que tal arte nazca en esta tierra entre gente tan temerosa, tan desnuda y tan repetitiva.

 

Los cuadros de Joesér Àlvarez cambiaron de repente. Ya no existe Joesér que pintó las jaulas de madera del río en un amarillo vespertino. Descubrió que Van Gogh ya había descubierto el amarillo y que Monet ya había limpiado los ríos. Pero nadie podía pintar lo que solo podía pintar Joesér Àlvarez. Y en una noche solitaria acompañado de Joesér Àlvarez, descubrió lo que solo él podía crear: y cuando le dieron paz en la vida, se puso manos a la obra. En un segundo, que pareció una eternidad, Joesér Àlvarez pasó de ser un ratón blanco de laboratorio a convertirse de repente en una rata de alcantarilla. Mientras Carlos Moreira es un cadáver, un feliz muerto de la poesía, Joesér Àlvarez es una rata de alcantarilla de cuyos ojos y de cuyas manos surge otro cuadro, otro interior sin límites, otro momento.

 

Este otro Joesér Àlvarez consigue recoger en el espacio restringido y bidimensional de un lienzo una dosis a caballo de soledad, malestar, incomunicabilidad, incomprensión y locura que sólo unos pocos pintores han probado así con éxito. Su camino actual cruza el mismo camino que Sotine, Bacon, Freud, Rustin, pero no les debe nada: su camino, como el de cualquier verdadero artista, nace de una locura personal, una perversión libertina, una perspectiva singular, una estética, una nueva filosofía y otra cosmovisión.

 

Tanto la muerte de Carlos Moreira como la transformación de Joesér Àlvarez en rata se deben al Madeirismo como creación íntima de los dos. El Madeirismo no es para ellos una cosa impuesta, una idea de lejos, sino otra sangre que corre por sus venas, otro Porto Velho que devora Nueva York, escupe Londres y Pekín y, cuando quiere, acaricia un São Paulo como si fuera era un niño pequeño, una señora cachorro. Las imágenes de Joesér Àlvarez multiplican nuestra capacidad de ver al otro, el horror y la maravilla de la existencia. Para aquellos que no se entregan a las formas cansadas y visibles, es más que un buen comienzo. Es la interferencia esperada en el espacio atemporal del arte de lo improbable.

 

* Profesor y escritor, fundador del Movimiento Madeirista.

 

FUENTE: JOESÉR: A RATAZANA CRIA SEU NINHO  (traducción libre)

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MATÉRIAS ONLINE

 

Entrevista para o Observatório da Literatura Digital Brasileira

Curriculum

 

 

Natural do Rio de Janeiro/RJ, 1962. Vive e trabalha na Amazônia desde 1982. Criador e Coordenador do Coletivo Madeirista e Coordenador do Ponto de Cultura ACME, atua principalmente nas seguintes temáticas: net.art, network, cinema e vídeo digital, intervenções urbanas, site specific, performance, fotografia, literatura, gravura, design gráfico, cerâmica, artivismo, patrimônio imaterial e produção cultural.

 

FORMAÇÃO ACADÊMICA
Bacharel em História pela UNIR - Universidade Federal de Rondônia, Porto Velho/Brasil, 2002.
Pós-Graduação em Jornalismo e Mídia pela UNINTES - Porto Velho/Brasil, 2003.
Pós-Graduação em Artes Visuais, Cultura e Criação - SENAC, Pólo Cuiabá, 2013.
Pós-Graduação em Cinema e Linguagem Audiovisual – Universidade Estácio de Sá, 2018.
Mestre em Direitos Humanos e Promoção da Justiça - DHJUS/UNIR, 2020.

Lattes: http://lattes.cnpq.br/5071359203353868

 

PREMIAÇÕES

 

2021

2º Edital SEJUCEL - Lei Aldir Blanc, Porto Velho/Br.

2º Edital FUNCULTURAL - Lei Aldir Blanc, Porto Velho/Br.

Best Experimental, Mokkho International Film Festival,Lawspet/India.

Best Mobile Film, Eurasia International Monthly Film Festival, Moscow/Russia

2016
Mejor Corto de Non-Ficción, Tele K Madrid.
2th Prize - Best Music, 12 Month Film Festival.
2015
Prêmio Thiago de Mello - Troféu Esperança - Júri Popular, 13ºFestcineamazônia .
2014
Prêmio Manoel Rodrigues Ferreira- Melhor Vídeo.
Troféu Mapinguari - Melhor Vídeo Experimental, 12º Festcineamazônia.
Rede Nacional de Artes Visuais 10ª Edição, Fundação Nacional de Artes - FUNARTE.
2012
Edital de Video Autoral - Pontos de Cultura, Laboratório Cultura Viva/RJ.
2010
Melhor Edição, Festival de Curtas de Ji-Paraná/RO.
Melhor Documentário, Festival de Curtas de Ji-Paraná/RO.
Melhor Ficção, Festival de Curtas de Ji-Paraná/RO.
Premio Mídia Livre, Programa Cultura Viva - Ministério da Cultura - MINC.
2009
Bolsa de Criação Literária, FUNDAÇÃO NACIONAL DE ARTE - FUNARTE.
Premio Rede Nacional de Artes Visuais, FUNDAÇÃO NACIONAL DE ARTE - FUNARTE.
Premio Tuxaua Cultura Viva, Programa Cultura Viva - Ministério da Cultura - MINC.
Edital nº 01/2009 - Pontos de Cultura de Rondônia, SECEL/MINC.
Edital nº 02/2009 de Intercâmbio, Ministério da Cultura - MINC.
2008
Troféu Mapinguari - Melhor Filme Rondônia, VII Fest Cineamazônia.
Troféu Mapinguari - Melhor Roteiro Rondônia, VII Fest Cineamazôniaa.
Troféu Mapinguari - Melhor Trilha Sonora Rondônia, VII Fest Cineamazônia.
Troféu Mapinguari - Melhor Edição Rondônia, VII Fest Cineamazônia.
Troféu Mapinguari - Melhor Direção Rondônia, VII Fest Cineamazônia.
2007
Digital Arts Award 2007, UNESCO.
Bolsa de Criação Literária, FUNARTE.
2006
Edital nº 3 Concurso SAV/MINC de apoio à produção cinematográfica, Setor do Audio-Visual - Ministério da Cultura. 
2004
Premio Silvino Santos - Melhor Vídeo Experimental - Troféu Mapinguari, II Fest Cineamazônia 
2003
10º Salão de Arte de Rondônia - 1º Lugar - Bidimensional, Secretaria de Cultura do Estado de Rondônia - SECEL. 
2001
Menção Honrosa - 5º Salão Art in Forma, Galleria Mali Villas Boas - São Paulo.
Iº Prêmio Hispanart de Animación en Flash, www.hispanart .com.
2000
Prêmio Destaque - II Salão de Arte, Tribunal de Justiça de Rondônia.
1998
7º Salão de Arte de Rondônia - 1º Lugar, Secretaria de Cultura do Estado de Rondônia - SECE

Premio Incentivo - Obra Pública, Ministério da Cultura - MinC.
Melhor Direção de Arte, Guarnicê Vídeo Festival.
1995
Concurso Listel de Pintura - 1º Lugar, Listel/Teleron.
Concurso Listel de Pintura - 3º Lugar, Listel/Teleron.
1994
3º Salão de Arte de Rondônia - 2º Lugar, Secretaria de Cultura do Estado de Rondônia - SECEL.
1993
Concurso Listel de Pintura - 2º Lugar, Listel/Teleron.
3º Lugar - I Salão de Arte, Tribunal de Justiça de Rondônia.